Queria ser irresistível como a chuva . A chuva que desaba inviolável, intocável, onipresente, sacrossanta e maliciosa. Que é como fogo transparente que explode impávido no horizonte, acima de tudo irresistível como nenhum outro ser o é.
Queria ser irresistível como a chuva. Assim te afogava em meus olhos, preso para sempre na masmorra de minha alma. Minha alma é líquida, mas não é chuva. É espelho d'água onde você se banha, onde mora o seu reflexo. Mas não sou a chuva que te envolve, fere e guarda, não sou eu quem envolve teu corpo de maneira tão completa.
Se eu fosse chuva. Não haveria o medo e a dor, que a chuva desconhece. O medo que você vá embora, que me deixe para sempre. A dor que transpassa feito lâmina, que mata por dentro, que apodrece o coração e a mente, que invalida os ossos, o sangue e o espírito. A dor que é suicídio do peito, o medo que enaltece e sabota o amor. Ah como eu queria se chuva, sua própria prisão e morada de liberdade, seu alento e consolo. A beleza da chuva, cortina de prata que toca e transforma o mundo com sua inquebrável sutileza. Que chora em ti inviolável, seu eterno cativo, seu coração fiel.
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