sábado, 10 de novembro de 2012

               Negro e brilhante, o enorme lagarto tinha olhos de fogo e dentes feito alabardas, com o fogo fluindo pela boca feito sangue. Quente como uma fogueira, se colocou sobre as escamosas patas traseiras e se lançou no vento, como uma pluma. As gigantescas asas de vampiro dançando no vento, nadando nas nuvens com graça mortal. A coluna ardente jorrou de seus dentes, açoitando as estrelas, que se efervesciam com sua passagem. Anélia sabia estar derrotada desde o início, não havia ser humano vivo capaz de enfrentar o gigantesco demônio alado.
               O animal despencou dos céus feito uma flecha, mirando nela com os olhos refulgentes. No último segundo, abriu as asas e planou a centímetros do chão, ardendo em uma gigantesca bola de chamas, ferindo o solo com uma risca carbonizada. O fogo derreteu a rocha e formou um caminho derretido por entre as escarpas. Voltou a subir, ainda com a pele ardendo, refulgindo mais que o próprio sol, apenas para mergulhar novamente e riscar a terra com mais força, transformando a rocha em mel negro, que escorria pelo calor abrasivo do próprio inferno.