quarta-feira, 22 de agosto de 2012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Fugiu nos ombros do animal resfolegante, que batia as asas num esforço fatigante. Tinha um pêlo cor de canela, brilhante como seus olhos, e voava em direção a saturno, livre como as estrelas. Sentia o veludo das penas roçar em seu corpo quando ele batia suas asas de pégaso, sentia a imensidão do universo abandonando-a cada vez mais rápido. O animal tinha olhos feito a lua, voando além das nuvens num galope que deixava profundas marcas de ferradura no manto celeste. Perdera a rédea, uma corda que se inflamara com o sol silencioso, um fio de fogo que queimava no vento que a arrastava para longe. Tão pouco havia estribos, argolas de metal que implodiram até virarem aneis de fumaça. Nada para segurar, a não ser a crina de ondas que dançava tango com o vento, brilhante feito prata. O animal era quente sob ela, como montar uma imensa fogueira. Seu pêlo era doce como cetim, uma manta perfumada, com cheiro de verão e também de inverno. Era como montar uma onda, antes que ela se desfizesse em espuma. Acordou num esgar doloroso, o sonho evaporando feito fumaça, o animal em nenhum lugar a vista. O belo cavalo alado, com pelagem com de canela e crina de prata, olhos redondos e penas de veludo, que prometera lhe levar para longe. Descobriu que ele fora sem ela.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Stephanía Tyrell talvez fosse, juntamente com a prima Margeary Tyrell, uma das mais belas moças em todo o sul. A casa Tyrell era famosa pela beleza de suas donzelas de sangue quente, e Stephanía não era exceção. O largos aneis negros de seus cabelos caiam em uma pele branca com sardas que pareciam o polvilhar de canela sobre chantilly. Tinha espetaculares olhos cor de turquesa, o rosto anguloso e a elegância dos Tyrell por parte de pai e os lábios carnudos e a esperteza dos Tully por parte de mãe.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Não há nada de heróico num sequestro. Nada de heróico em aterrorizar uma vila, pessoas mais fracas, pessoas frágeis. Porém, para uma alma quebrada, era tudo o que restava.
Não lhes fazia mal, não fisicamente, pelo menos. Apenas gostava de escraviza-las e aterroriza-las. Fazi-as arrumar o castelo, cozinhas parcas refeições, arar a terra e fazer a colheita, cuidar dos animais e das plantas, limpar os arreios e manter a ordem. Moças jovens, mulheres esturricadas, senhoras respeitáveis, velhas corcundas, não havia preconceito. Não eram muitas, e eram sequestradas aos poucos da vila, para que o terror crescesse aos poucos, estrangulando lentamente. Algumas escapavam, completamente exautas e atormentadas, e algumas eram libertas, por serem completamente inúteis. Voltavam magras e meio cegas da escuridão do castelo, e demoravam a se readaptar. No entanto, nenhuma sequer tinha visto o rosto do castelão e vivido para contar a história.
Não mostrava a face, era um príncipe das trevas, como dramaticamente gostava de se auto denominar. Não tinha um exército, apenas uma gurada violenta e fiel, que sequetrava as mulheres e protegia o castelo. Fora a guarda e as escravas sequestradas, seus empregados, era sozinho no mundo. Não via ninguém e se mantinha trancado no alto da torre, sendo alimentado por uma empregada velha que deixava a bandeija e depois ia embora, sem lhe ver. Gostava de se lacrar no alto da torre, em seus aposentos, onde só recebia o chefe da guarda sangrenta, e mesmo assim não o olhava. Dava ordens de sua poltrona de espaldar alto, virada para o fogo, sem nunca encarar o subalterno.
Alicia catava morangos ligeiramente afastada da vila, onde estavam os frutos mais tenros, na borda da mata espessa. Ouviu os cascos dos cavalos martelando as pedras da estrada, e viu ao longe as capas negras dos soldados ondulando como bandeiras ao vento.
Não lhes fazia mal, não fisicamente, pelo menos. Apenas gostava de escraviza-las e aterroriza-las. Fazi-as arrumar o castelo, cozinhas parcas refeições, arar a terra e fazer a colheita, cuidar dos animais e das plantas, limpar os arreios e manter a ordem. Moças jovens, mulheres esturricadas, senhoras respeitáveis, velhas corcundas, não havia preconceito. Não eram muitas, e eram sequestradas aos poucos da vila, para que o terror crescesse aos poucos, estrangulando lentamente. Algumas escapavam, completamente exautas e atormentadas, e algumas eram libertas, por serem completamente inúteis. Voltavam magras e meio cegas da escuridão do castelo, e demoravam a se readaptar. No entanto, nenhuma sequer tinha visto o rosto do castelão e vivido para contar a história.
Não mostrava a face, era um príncipe das trevas, como dramaticamente gostava de se auto denominar. Não tinha um exército, apenas uma gurada violenta e fiel, que sequetrava as mulheres e protegia o castelo. Fora a guarda e as escravas sequestradas, seus empregados, era sozinho no mundo. Não via ninguém e se mantinha trancado no alto da torre, sendo alimentado por uma empregada velha que deixava a bandeija e depois ia embora, sem lhe ver. Gostava de se lacrar no alto da torre, em seus aposentos, onde só recebia o chefe da guarda sangrenta, e mesmo assim não o olhava. Dava ordens de sua poltrona de espaldar alto, virada para o fogo, sem nunca encarar o subalterno.
Alicia catava morangos ligeiramente afastada da vila, onde estavam os frutos mais tenros, na borda da mata espessa. Ouviu os cascos dos cavalos martelando as pedras da estrada, e viu ao longe as capas negras dos soldados ondulando como bandeiras ao vento.
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