segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Fugiu nos ombros do animal resfolegante, que batia as asas num esforço fatigante. Tinha um pêlo cor de canela, brilhante como seus olhos, e voava em direção a saturno, livre como as estrelas. Sentia o veludo das penas roçar em seu corpo quando ele batia suas asas de pégaso, sentia a imensidão do universo abandonando-a cada vez mais rápido. O animal tinha olhos feito a lua, voando além das nuvens num galope que deixava profundas marcas de ferradura no manto celeste. Perdera a rédea, uma corda que se inflamara com o sol silencioso, um fio de fogo que queimava no vento que a arrastava para longe. Tão pouco havia estribos, argolas de metal que implodiram até virarem aneis de fumaça. Nada para segurar, a não ser a crina de ondas que dançava tango com o vento, brilhante feito prata. O animal era quente sob ela, como montar uma imensa fogueira. Seu pêlo era doce como cetim, uma manta perfumada, com cheiro de verão e também de inverno. Era como montar uma onda, antes que ela se desfizesse em espuma. Acordou num esgar doloroso, o sonho evaporando feito fumaça, o animal em nenhum lugar a vista. O belo cavalo alado, com pelagem com de canela e crina de prata, olhos redondos e penas de veludo, que prometera lhe levar para longe. Descobriu que ele fora sem ela.

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