domingo, 9 de outubro de 2011
Sabe quando você tem vontade de desistir de tudo? Mas tudo mesmo? Da maldita prova de amanha, da prova da semana seguinte, dos curso que você adora, do projeto de verão da academia, de ser responsável e bonita e magra e educada e inteligente e fonte de orgulho? As vezes jogar pro alto tudo o que te dizem, o que não te dizem por medo ou falsidade, o que sua mãe te ensinou, por que raios deveria estar certo? Não é crise de TPM, é só, crise. Por que a TV ou o sorvete ou o sexo são errados? Emburrecem, engordam e engordam, nessa ordem. Sexo não seria supervalorido se não fosse proibido, diabos. Sou virgem, grito aos céus, respondo. Mas o que que tem perder com alguém que não seja seu marido? Alguém que não tenha assinado um papel que te garanta todas as regalias de mulher e rainha da sua conta bancária? É esse o preço do sexo das mulheres precavidas? Todos sabemos que as mulheres precavidas sofrem menos. Menos ansiedade, menos desespero, menos dor de consciência, de cotovelo e de parto. Será? E as que se jogam de cabeça em tudo o que é vida? Desesperadas pela liberdade, jamais se negam a nada, nadinha. Pode dar certo. Mas e se o cara só quer isso de um relacionamento, sexo com uma mulher livre? E o sentimento, que é uma dor literalmente fisica, capaz de te rasgar aos pedaços e te lançar no chão feito um coice? Qual é o valor de um sentimento? é monetário, deve ser reavido? E aquela ideia absurda de que o dinheiro não paga tudo? Ou melhor, não paga absolutamente nada? Nada na minha alma pode ser comprado, nada em mim se cria, se extingue ou se transforma por negócio jurídico e negociação hipotecária. Minha alma é santa, louca e sã, mas não é negociável. Há um preço que se paga pelas almas pagas, mas esse preço é tão maior que dinheiro que não pode ser analisado pela cabeça de um matemático. Vivo num mundo vendido e comprado, numa feira onde tudo é absolutamente reciclável Os valores perderam seu valor, agoram são cifras. E o amor, a vida, o sexo, morte, aquele commodity que é o sentimento? A dor de uma perda, que dinamita o peito que chega a asfixiar, isso não se vende, nem compra. Não é algo que se tenha posse para se negociar, a dor não é sua, você é que pertence a ela. O amor, a dor, a felicidade, o prazer, nenhum um deles é seu. Você pertence irrevogavelmente a eles, algemado a seus grilhões feito um escravo estúpido, cego, surdo, mudo. Ah mania louca de individualismo, somos todos donos e senhores de nós mesmos. A ideia mais absurda jamais escrita. Fome, frio, luxúria, asco são instintos controláveis, são nossos. Mas valores, sentimentos, desses somos marionetes inertes e obedientes. E escolhemos ser escravos dos dinheiro, do poder, do gostinho doce do status. Eu, bem, sou escrava do amor. Sou incondicionalmente apaixonada, e isso me retém e me conduz por caminhos tão errados quanto incompletos. Quando as pessoas pararam de parar seu dia alguns segundos, só pra se sentir apaixonadas? Só? Ah Clarisse, você não seria capaz de viver nesse mundo, nunca foi. A vocação irrevogável da alma não pode ser negligenciada. Escrever é como se o próprio nectar do espírito escorresse pelo papel, manchando sua brancura com a precariedade e violência de uma alma profana, sedenta por estravasar suas complexas extruturas, ilegíveis para qualquer um que não as reconheça. Escrever é o próprio respirar da alma, que se não asfixia. Uma alma enforcada te mata aos poucos, te tortura e te oprime. Escrever é tão essencial, libertador, profano e sagrado, que me doi o espírito se não o faço. É a própria linguagem dos anjos, meus anjos, que se traduz pela tinta e papel, ato tão rudimentar e essencial quanto o choro de uma criança. Ah como eu quero me entregar, assim tão fácil quanto um beijo e uma carícia. Você não sabe, e nem deve saber, como me tem assim na mão, assim feito sua boneca, assim meio incompleta e desastrada, mas só sua. Não sabe jamais como me arrepio, como meus pensamentos vao na velocidade da luz até se paralisarem quando você me toca, assim tão fácil, tão natural que é assustador. Com um toque você já me tem toda sua, derretida completamente na sua temperatura alucinante. Mas isso acaba, a paixão, o amor? é certo se entregar para uma coisa incerta, incapaz te dar garantias de eternidade? É certo não se entregar a um momento, a um relance de efemeridade? Um contrato torna isso lícito? Mas humanos não são eternos, nada relacionado a eles o é. Viver perdido nessa ilusão de eternidade, quando tudo não passa de um vislumbre. Por isso o duradouro é caro, é valorizado, é uma ilusão vendida por seu peso em ouro. Quero ser sua, toda sua, cada pedaço de mim te pertence. Mas você sabe valorizar? Amanha ainda valerá o bastante? Por que o que eu sinto por você não é nada é comparação ao amor que eu sinto por mim. Esse não muda, é meu. Mas e você, você sabe que eu sou sua, sou sua até que não haja mais nada.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário