terça-feira, 20 de março de 2012

O centauro de alma gelada foi banhado pela luz do firmamento, que cristalina tingiu sua acetinada tez de metal. Havia dor e desespero em sua gélida existência, no limbo de sua carcaça imortal. As setas de pestilência eterna estavam encravadas em seu lombo, para sempre latejando e sangrando suas pústulas celestiais. As desencravava  uma a uma, sentindo o sangue escorrer das feridas indo molhar seus cascos espelhados. Uma a uma ela as encaixava no arco de matador assassino, certeiro e potente, presente das estrelas por ocasião de seu nascimento. Uma a uma ele as disparava, lançando-as para além do firmamento, viajando por entre as órbitas dos planetas, indo cravar-se na terra, casa dos humanos. De seu trono entre as estrelas, o sofrido centauro era capaz de ver todos eles, seus pensamentos e ações. Era muito sensível aos corações partidos, aos amores proibidos, às paixões secretas e aos mistérios da luxúria.

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