Se cometi algum crime na vida,
Foi te amar demais
Criatura amarga, que imaginei ser humana
E que era humana, para meu eterno desagrado
Não te amei como amam a música ou a poesia,
Te amei como se ama o som ou o dom da escrita
Não te amei como amam a lua, as estrelas
Te amei como se ama a própria luz, o próprio poder de percebe-la
Te amei, rainha, como se ama o próprio som do coração batendo
O próprio sangue, tórrido, a escorrer
Te amei como anjo, e eras apenas mulher
Te amei como mulher, e eras apenas monstro
Aprendes, princesa, que um amor jamais é passado
Mas um coração partido é feito fruta podre
jamais volta a ter gosto doce
Amor não se revoga, nem se esconde
Não se promete, nem se decide
É.
Amor é ódio indeciso
É um tiro violento, uma arma carregada
Amor se paga com amor, ou com sangue
Foi crime, amor, o amor que derramei
Um dívida impagável, mesmo que vivesseis por mil anos
Uma dívida de amor e de sangue.
Uma marca perene, cicatriz de fogo na alma
que nem a morte ou a demência pode destruir
Amor de verdade é fogo de vulcão
Não é brasa de palha
ou chama de luxúria
nem fumaça e espelhos
Amor de verdade é pra vida mais que água, é sangue
Ai mulher, te amo
por que amar não se conjuga no passado nem no infinitivo
é primeira pessoa do singular, sempre
Te amo, porém te conheço
eis minha maldição
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