terça-feira, 11 de setembro de 2012

        Dormia em seus sonos ébrios, embalada suavemente pela própria infelicidade, o mais poderoso dos anestésicos. Os cabelos dourados rolavam feito um desastre natural, do sofá cor de vinho tinto até o tapete branco. A pele macia era cor de creme, nem branco nem alabastro, mas creme batido, polvilhado de canela em alguns lugares, contrastando com o vestido marfim que escorria pelo aposento feito água, espalhado em volta de seu corpo feito imenso cobertor. Parecia um anjo alvejado, caido meio sem jeito sobre o sofá, com um  copo virado no chão e um tiara nupcial de diamantes largada de qualquer jeito como se fosse um par de meias. No cabelo havia ainda alguns grampos de pérola engastados, mas a maioria jazia pelo aposento feito formigas, às centenas. Despedaçara a mão as imensas rosas vermelhas do buquê, e o quarto tinha um leve cheiro de jardim com os retalhos de pétalas espalhados pelo quarto como uma tempestade de sangue. Ainda estava com os sapatos e com os brincos de esmeralda, assim como o opulento colar de esmeraldas que fora presente do noivo.

         Foi nesse cenário de pesadelo que Lorde Koster se encontrou. A janela fora deixada aberta, e fora fácil escalar a mureta do castelo e transapassar a janela aberta, já que a biblioteca ficava no térreo. Não esperava encontrar a noiva rebelda, pois imaginava que ela fugiria para qualquer outro lugar no planeta, mas esperava encontrar ao menos pistas de seu paradeiro ameaçando os criados longe das vistas de Lorde Castle. Foi uma agradável surpresa encontrar a noiva ali, claramente desmaiada pelo efeito do álcool, ainda vestida como uma noiva virginal que pertencia a ele. Saltou do parapeito para o chão com cuidado, porém a princesa nem estremeceu com o ruído de suas botas no assoalho.

       Não havia pensado muito sobre o que faria quando a encontrasse. Apenas queria encontra-la, e depois decidia. Agora que a tinha vulnerável, não tinha ideia do que fazer. Atravessou o quarto e sentou-se no sofá ao lado de sua cabeça coroada pelos cabelos dourados, pensando. Foi instintivamente que ele lançou mão a seu pescoço alvo, porém parou em meio movimento. Certamente a donzela merecia morrer. Não se foge ao compromisso com Lorde Koster e depois vive para contar tal história. Não havia dúvidas do destino certo para tal criatura.

      Porém, pensou melhor. Para que mata-la? Para todos os efeitos práticos ela já o pertencia,

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